Brasil e energia solar: como anda essa relação nos dias de hoje?

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A relação entre Brasil e energia solar é tema de destaque, em função do grande potencial de crescimento do setor. O clima e a localização geográfica favorecem a irradiação solar, proporcionando ao país um dos índices solarimétricos mais elevados do globo.

Apesar disso, o potencial de geração solar nacional ainda é pouco explorado, uma vez que a matriz energética brasileira sempre privilegiou outras fontes geradoras, como as usinas hidrelétricas e os combustíveis fósseis.

No entanto, diante das constantes elevações de tarifas de energia elétrica, aliadas a outros problemas (como períodos de estiagem e falhas no fornecimento), o uso da energia solar no Brasil tende a se tornar cada vez maior. O setor, inclusive, tem sido alvo de várias políticas de incentivo.

Continue a leitura de nosso artigo para entender melhor o mercado de energia solar no Brasil e as boas perspectivas para quem investe na própria geração.

Confira os estímulos atuais para energia solar no Brasil

A geração de energia fotovoltaica já é uma realidade para muitos consumidores. Diversas indústrias, agricultores, empresas do setor de comércio e serviços e consumidores residenciais estão utilizando a tecnologia.

Um dos fatores de estímulo, sem dúvida, é a possibilidade da geração distribuída, permitida pela Resolução 482/2012, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Essa regulamentação, além de criar regras para a geração da própria energia, também permite que o gerador forneça seu excedente para a rede de distribuição.

Esse mercado vem crescendo a olhos vistos. Para exemplificar, no mês de junho de 2016, aproximadamente 4,4 mil unidades consumidoras brasileiras estavam habilitadas para receber créditos pela injeção da energia excedente no sistema.

Pouco mais de dois anos depois, em agosto de 2018, esse índice saltou para 51,5 mil, o que representa uma elevação de 1.168%. Em novembro de 2018, os consumidores habilitados para fornecer energia para a rede já somavam 63,5 mil, um aumento de 23% em apenas três meses. Em abril de 2019, já passa de 70 mil geradores instalados. 

Nas projeções do governo, o potencial de investimentos na geração de energia solar é de R$ 100 bilhões até 2030. Até essa data, a perspectiva é de que 2,7 milhões de unidades consumidoras passem a integrar o programa.

Além das vantagens da geração distribuída, um dos grandes incentivos ao setor foi a criação de diversas linhas de financiamento, que facilitam o acesso aos sistemas para geração de energia fotovoltaica.

Outros fatores que impulsionam o mercado de energia solar fotovoltaica no Brasil são:

  • alto valor das tarifas de energia elétrica;

  • possibilidade de alteração de bandeiras tarifárias e influência dos períodos de estiagem;

  • instabilidade no fornecimento, por parte das concessionárias atuais;

  • políticas de incentivo e fomento à geração de energia solar.

Conheça as vantagens da energia solar

Além da economia na conta de energia elétrica e independência da concessionária, existem outros benefícios na geração própria. Confira os principais:

  • é uma energia renovável e ambientalmente correta;

  • sua geração não produz resíduos, não degrada o meio ambiente e não prejudica comunidades nativas, como no caso de hidrelétricas, que demandam obras para desvios e contenção de rios;

  • o investimento inicial se paga em pouco tempo (o prazo de payback é estimado em cinco anos) com a redução nas tarifas de energia elétrica;

  • o custo de manutenção é baixo (normalmente, basta uma limpeza periódica das placas fotovoltaicas);

  • a vida útil do sistema gira em torno de 25 anos;

  • a tecnologia de produção das placas fotovoltaicas é cada vez melhor;

  • o investimento para instalação do sistema, atualmente, é menor, especialmente em função da popularização da tecnologia;

  • em lugares remotos ou de difícil acesso, a tecnologia garante a independência da infraestrutura da rede, que demanda instalação de linhas de transmissão e outros investimentos.

Brasil e energia solar: saiba quais são os estados que mais produzem

Embora o Brasil seja bastante privilegiado em termos de insolação, em toda a sua área, a maior parte das instalações de sistemas fotovoltaicos está concentrada nas regiões Sul e Sudeste.

Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul são os campeões em número de instalações no país. Juntos, respondem por 75% de toda a geração solar nacional.

Já as unidades da federação que mais utilizam energia solar são Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. Em Minas, estado pioneiro na isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para sistemas fotovoltaicos, já existem mais de 7,8 mil usuários, de acordo com a Aneel.

No estado de São Paulo, o número de instalações está bem próximo de Minas Gerais, alcançando 7,6 mil. A diferença, no entanto, é que as instalações residenciais ultrapassam as do estado mineiro. Porém, nos segmentos industriais e residenciais, São Paulo ainda apresenta grande potencial de crescimento.

Em termos de potência instalada, Minas Gerais ganha disparado em relação aos demais estados da nação. Em seguida, aparece o Ceará, que, embora no sétimo lugar em número de instalações, ocupa o segundo posto em capacidade de geração. Os 509 sistemas fotovoltaicos instalados no estado conseguem gerar 20.619 kW.

Por outro lado, os estados com menor potência instalada são o Acre e o Amazonas — o que não deixa de ser um contrassenso, já que ambos são mais do que privilegiados em termos de insolação, além de contarem com várias regiões de difícil acesso, o que prejudica o fornecimento de energia elétrica.

No Rio Grande do Sul, os principais usuários de energia solar são empresas do segmento de comércio e serviços. Indústrias, agricultura e residências ainda respondem por poucas instalações, o que indica que existe um grande mercado potencial para o setor no estado.

Aliás, o mercado potencial existe em todo o país. Com os incentivos às fontes renováveis e a possibilidade de obter créditos junto à distribuidora, por meio da geração distribuída, cada vez mais consumidores devem se interessar pela produção da própria energia.

O mercado de geração de energia fotovoltaica está em crescimento em todo o país, e, cada vez mais, a relação entre Brasil e energia solar se torna interessante para vários perfis de consumidores. Existem nichos interessantes e oportunidades para investimento em todo o território nacional.

Gostou de conhecer melhor o panorama nacional de energia solar e as soluções para geração fotovoltaica? Fique à vontade para comentar e compartilhar conosco suas dúvidas e experiências!

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